• Dr. Fábio Moura

Remédios para Tratar Obesidade

O tratamento da obesidade inclui uma série de ações, passando por ajustes dietéticos – melhorar a qualidade e diminuir a quantidade de calorias ingeridas -, pelo aumento da atividade física, pelo uso de medicações e, em alguns casos, com cirurgia bariátrica.

A obesidade é uma doença crônica não transmissível, decorrente de múltiplos fatores – genética, ambiente, ou seja, hábitos alimentares e hábitos de atividade física – e cuja prevalência vem aumentando em todas as faixas etárias, em todas as classes sociais e em todos os recantos do mundo, tornando-se uma pandemia e um problema de saúde pública mundial. Some-se a isso a associação entre a obesidade e várias co-morbidades – Diabetes Mellitos tipo 2, Hipertensão arterial sistêmica, aterosclerose, com aumento do risco de infarto do miocárdio e acidente vascular encefálico, além do aumento na mortalidade geral e teremos um cenário dantesco. Portanto, desenvolver estratégias de prevenção e tratamento de obesidade é uma questão extremamente relevante.


O tratamento da obesidade inclui uma série de ações, passando por ajustes dietéticos – melhorar a qualidade e diminuir a quantidade de calorias ingeridas -, pelo aumento da atividade física, pelo uso de medicações e, em alguns casos, com cirurgia bariátrica. Perdas de peso maiores ou iguais a 5% já tem melhoram a saúde dos pacientes. Perdas de 15% estão associadas com diminuição de mortalidade e aumento da expectativa de vida. Esse texto irá focar no tratamento farmacológico da obesidade.


A prescrição de um fármaco anti-obesidade deve ser feita sempre por um médico habilitado para tal e deverá obedecer a alguns preceitos, não só de indicações, mas, principalmente, de identificar e respeitar as contra-indicações para o uso de algumas dessas drogas, tais como HAS descontrolada e história de evento cardiovascular prévio. As drogas para tratar obesidade podem ser classificadas de várias formas, por exemplo, em drogas on label – drogas que possuem aprovação formal, em bula, para o tratamento da obesidade. No Brasil, são classificadas como on label a Sibutramina, a Lorcaserina, o Orlistate e a Liraglutida. Nos Estados unidos, outras drogas, como a Fentermina, isolada ou em associações, e a associação de Natrexona com Bupropiona também são liberadas, enquanto a Sibutramina não é liberada. Algumas drogas também podem ser utilizadas para tratar a obesidade mesmo não tendo aprovação formal para tal. São denominadas off label, pois, não tem aprovação formal para tratar obesidade, embora existam estudos científicos que respaldem o seu uso. Nesse contexto, estão o Topiramato e a Lisdexanfetamina. As drogas também podem ser classificadas de acordo com sua ação, podendo ser primariamente anorexígenas, como as antigas Anfepramona e o Mazindol, sacietógenas, como a Sibutramina, ou atuarem sobre diversos mecanismos, como a Liraglutida. Ainda podem agir diminuindo a absorção de gordura, como o Orlistate. A associação entre drogas, sempre respeitando o princípio de ações complementares, sinérgicas, e da ausência de problemas de interação medicamentosa vem sendo preconizada com frequência cada vez maior. A tentativa de desenvolver drogas anti-obesidade eficazes e seguras, passíveis de uso crônico, são um desafio permanente. No curto prazo, os agonistas duplos de hormônios intestinais, como a Oxintomodulina, trazem esperança de melhores dias.


Em conclusão, o tratamento farmacológico da obesidade é uma ferramenta eficaz e útil para o tratamento da obesidade, desde que usada de maneira judiciosa. O tratamento deve ser de longo prazo, o que é uma dificuldade real hoje. A procura por drogas seguras, eficazes e que possam ser utilizadas por longo prazo são uma demanda permanente.


Artigo desenvolvido por: Dr. Fabio Moura