• Dra. Caroline Amaral

OBESIDADE E SAÚDE MENTAL EM ÉPOCA DE PANDEMIA.

Em boa parte do país, milhões de pessoas estão reclusas em casa, saindo para fazer somente o essencial. Algumas delas nem isso, como é o caso de pessoas consideradas grupo de risco como as que tem obesidade. Diante de uma crise sem precedentes na história contemporânea e que já exige resposta de clínicos e pesquisadores em saúde mental, é esperado que estejamos frequentemente em estado de alerta, preocupados, confusos, estressados e com sensação de falta de controle frente às incertezas do momento.

Estima-se, que entre 30 a 50% da população exposta a uma epidemia pode vir a sofrer alguma alteração de saúde mental, caso não seja feita nenhuma intervenção de cuidado para as reações e sintomas manifestados. Muitas dessas pessoas já tinham um diagnóstico prévio em saúde mental e acabaram interrompendo o acompanhamento com medo de contaminação pelo vírus, restrições de circulação impostas pelas autoridades, redução do atendimento a grupo de risco, início de dificuldade financeira , entre outros fatores que pioram um quadro já estabelecido.


É importante destacar que nem todos os problemas psicológicos e sociais apresentados poderão ser qualificados como doenças, a maioria será classificado como reações normais diante de uma situação anormal e deverão ser acolhidos, devidamente trabalhados para que não ganhe proporção a se transformar em doença e em outros casos será necessário a intervenção mais específica de profissionais como psicólogos e psiquiatras.

A felicidade não é uma obrigação, ainda mais no momento que estamos vivendo; o medo é importante até certo ponto para nos gerar prudência, o que não podemos deixar é que ele nos paralise e fique desproporcional. É importante compreender que saúde mental não é o mesmo que felicidade, saúde mental tem relação com a capacidade acolher, de lidar e de elaborar nossos afetos, sejam eles bons ou ruins, felizes ou não e gerar estratégias de enfrentamento.


Como proteção à saúde mental pode-se tentar reconhecer e acolher receios e medos, retomar estratégias de cuidado que tenha usado em outros momentos de crise ou sofrimento e que trouxeram sensação de maior estabilidade emocional; manter mesmo dentro de casa uma rotina básica ( de sono, alimentação, atividade física) , se possível expondo-se a luminosidade natural (Sol), investir em exercícios e ações que ajudem na redução do nível de estresse (meditação, leitura, exercícios de respiração, ver filmes, cuidar de plantas, animais, cozinhar, entre outros mecanismos que ajudem a s