Dentro da surpreendente capital mundial da obesidade, com carteiras escolares gigantes e assentos especiais de ônibus... E o roubo de canetas emagrecedoras é desenfreado
- obesidadebrasil
- 12 de jan.
- 5 min de leitura
Bandidos armados intensificaram as batidas em farmácias para atender à demanda crescente por doses de canetas emagrecedoras, disse uma médica brasileira ao The Sun
Publicado: 16:46, 29 de dezembro de 2025

No final de 2025, nossa cofundadora Dra.Andrea Pereira, médica nutróloga, deu uma entrevista sobre obesidade no Brasil para esse importante meio de comunicação do Reino Unido.

DENTRO da capital mundial da obesidade, não são apenas os moradores locais que são maiores – são os assentos de ônibus, as carteiras das escolas e as camas de hospital.
Até um dia especial para celebrar os "direitos das pessoas com obesidade" foi introduzido. Mas as atitudes têm mudado – e os moradores estão tão desesperados para perder peso que surgiu um vasto mercado negro de canetas emagrecedoras.
A taxa de obesidade mais do que dobrou nas últimas duas décadas.
No Brasil, a obesidade entre adultos dobrou nas últimas duas décadas, chegando a quase um terço da população.
E, em resposta à crise crescente, o país tem lutado para combater as taxas crescentes.
Mas, junto com as medidas para melhorar a saúde, o Brasil viu um grande movimento de pessoas abraçando seus corpos gordos – lutando para consagrar os direitos à obesidade e ajudar os moradores acima do peso a se integrarem.
Enquanto a nação sul-americana lida com sua nova realidade, as autoridades tomaram medidas para facilitar a vida de seu público rechonchudo.
Leis que obrigam as escolas a fornecer assentos extra-grandes aos alunos foram aprovadas, enquanto os clientes maiores receberam prioridade nos bancos.
Nos hospitais, os médicos trouxeram leitos maiores e ressonâncias magnéticas de grande porte.
E, ao mesmo tempo, regras vêm sendo implementadas para combater a "gordofobia" – discriminação contra pessoas gordas – dentro e fora do ambiente de trabalho. Um dia especial dos "direitos das pessoas com obesidade" foi até legalmente instituído em três estados brasileiros para aumentar a conscientização sobre os direitos das pessoas acima do peso.
Já em 2014, durante a Copa do Mundo do Brasil, quase 5.000 assentos extra-wide estavam disponíveis para ajudar torcedores com obesidade – uma doença classificada como deficiência pela lei brasileira.
Se o país continuar no mesmo caminho, espera-se que mais da metade da população esteja obesa até 2040, alertam especialistas.
A Dra. Andrea Pereira, cofundadora da ONG Obesidade Brasil, disse ao The Sun que muitos de seus pacientes têm vergonha de sair e de socializar por causa do peso.
Descrevendo as muitas formas pelas quais a sociedade brasileira se adaptou à epidemia em andamento, Dra.Andrea Pereira detalhou como o país introduziu, por exemplo, assentos maiores em restaurantes, teatros e até ônibus e trens.
Mas, apesar desses ajustes, ela diz que muitos ainda têm medo de usá-los por causa da insegurança quanto ao peso.
Ela disse: "As pessoas têm vergonha de usar os assentos e preferem não sair para evitar se mostrar.
"Como a obesidade é uma doença distinta, você pode vê-la o tempo todo; é impossível escondê-la."
A médica também destacou que o aumento da obesidade levou muitos a tentar combater a doença com medicamentos, incluindo semaglutida e tirzepatida.
Apenas os mais ricos da sociedade brasileira conseguem acessar canetas emagrecedoras porque são 'muito caras'
Em junho, houve a obrigatoriedade de prescrição médica – mas antes disso, as autoridades já estavam e ainda estão enfrentando uma rede clandestina de medicamentos para perda de peso.
A polícia havia apreendido cerca de 8.000 canetas de tirzepatida – que estavam sendo vendidas por cerca de $300 cada no mercado negro.
Desde então, o acesso ainda tem sido limitado – com apenas os mais ricos da sociedade brasileira conseguindo adquirir os medicamentos "muito caros".
A Dra. Andrea Pereira disse: "Para pessoas pobres, é mais difícil tratar a obesidade, porque o sistema público de saúde não tem medicamentos nem centros de ajuda e há uma fila muito grande."
Ataques as farmácias
Surpreendentemente, a febre dos medicamentos para obesidade até provocou um aumento da criminalidade devido à alta demanda.
Assaltantes armados invadiram farmácias e trabalharam com contrabandistas para transportá-los para dentro e para fora do país.
Em 2024, houve 39 assaltos a farmácias, em comparação com apenas um em 2022.

Banhos de sol na praia de Ipanema, no Rio de Janeiro
Em 24 de novembro, dois atiradores foram presos em Salvador após supostamente roubarem 42 caixas de doses de canetas emagrecedoras – chegando a fazer reféns funcionários e a atirar em policiais durante a operação ousada.
Um gerente de farmácia em São Paulo disse ao The New York Times que lojas que vendem Ozempic "não podem trabalhar em paz" – e explicou que sua loja se recusou a estocar o medicamento para evitar ser roubada.
O Dra. Andrea Pereira disse: "Já tivemos um grande número de furtos de medicamentos para obesidade em farmácias por todo o país, além disso, há contrabando e falsificação.
"Como esses medicamentos são caros, em um país com 41 milhões de pessoas com obesidade, há potencial de lucro para gangues e fraudadores."
Ela disse que o crime recorrente representa "um desafio significativo" para as autoridades.
Descrevendo a obesidade entre os jovens, Oscar Serrano Oria, Conselheiro Sênior de Nutrição da UNICEF Reino Unido, nos disse: "No Brasil, os níveis de obesidade em crianças subiram de 5% em 2000 para 15% em 2022.
"O consumo de alimentos ultraprocessados afeta principalmente as pessoas mais vulneráveis, que vivem em insegurança alimentar, pois esses alimentos são altamente acessíveis, baratos e comercializados de forma agressiva."
A população brasileira é estereotipicamente conhecida por corpos bronzeados e esguios
A epidemia de obesidade no Brasil também está afetando certas cidades mais do que outras.
Em Recife, uma das cidades com mais obesidade no Brasil, os professores foram legalmente obrigados a educar as crianças sobre a discriminação baseada no peso.
Outra lei instituiu um dia anual para celebrar os direitos das pessoas com obesidade.
Em 2021, Recife aprovou um projeto que obrigava as escolas locais a terem carteiras maiores, uma iniciativa liderada pela vereadora Cida Pedrosa.
O parlamentar disse à BBC: "Não estamos negando que, em alguns casos, ser obeso pode trazer problemas de saúde. Mas também precisamos parar de patologizar corpos gordos e de pensar que corpos gordos são doentes."
Destacando a ameaça devastadora que a crise da obesidade representa no Brasil hoje, a Dra. Andrea Pereira também explicou como a obesidade está relacionada a pelo menos 13 tipos de câncer.
Ela acrescentou: "Em geral, as pessoas culpam a obesidade pela gula ou desejo e chamam isso de falta de controle – mas isso não é verdade, é uma doença."
Ela também disse que o Brasil havia recentemente alcançado um ponto chocante, em que havia mais crianças com obesidade do que com desnutrição.
Oria disse: "A obesidade superou o baixo peso como a forma mais prevalente de desnutrição pela primeira vez este ano, afetando 188 milhões de crianças em idade escolar e colocando-as em risco de doenças potencialmente fatais.
Apontando as raízes da crise, Andrea Pereira culpa parcialmente a globalização e o surgimento de alimentos ultraprocessados.
Há uma forte correlação entre as redes internacionais de fast food e os níveis de obesidade entre crianças no Brasil, mostram pesquisas.
O sistema de saúde também tem sido marcado por longas filas, com pessoas esperando até sete anos para passar por cirurgias bariátricas, disse a Dra. Andrea Pereira.
Oria acrescentou: "Os alimentos ultraprocessados estão substituindo cada vez mais frutas, vegetais e proteínas tradicionais em um momento em que a nutrição desempenha um papel fundamental no crescimento físico e mental das crianças."
Embora as canetas emagrecedoras tenham mudado a vida de muitos – a pergunta permanece: será que é tarde demais para a capital mundial da obesidade?




Comentários