• Catharina Paiva

A IMPORTÂNCIA DO ACOMPANHAMENTO NUTRICIONAL NA EVOLUÇÃO DA DIETA PÓS CIRURGIA BARIÁTRICA

A cirurgia bariátrica é uma das estratégias de tratamento obesidade, sendo o que apresenta melhor resultado para pacientes com obesidade grau 3.

A cirurgia bariátrica é uma das estratégias de tratamento obesidade, sendo o que apresenta melhor resultado para pacientes com obesidade grau 3. A redução de peso após a cirurgia ocorre pela diminuição do consumo (volume) alimentar e redução da absorção dos alimentos pelo trato gastrointestinal, principalmente de vitaminas e minerais podendo ocasionar alterações clínicas como alopecia, fraqueza, vômitos, náuseas, síndrome de Dumping, diarreia e unhas quebradiças, entre outros. Por isso é extremamente importante que tanto no período pré quanto no pós cirúrgico o paciente seja acompanhado por uma equipe nutricional, para prevenir, evitar ou solucionar tais efeitos.


O protocolo nutricional deve ser desenvolvido para contemplar todas as fases pós cirúrgicas: respeitando a aceitação e tolerância do paciente; seguindo uma progressão de consistência; baseando as orientações de uma alimentação equilibrada. Cada serviço de cirurgia bariátrica apresenta um protocolo nutricional de evolução da dieta após a cirurgia, porém todos tem em comum o início com os líquidos, evoluindo progressivamente a consistência até chegar na nossa dieta diária.


O modelo apresentado nesse artigo é baseado no Protocolo de Atendimento Nutricional desenvolvido no Centro Integrado de Pesquisa em Hipertensão e Metabologia Cardiovascular/Nutrição da Escola Paulista de Medicina – UNIFESP

Primeiramente se faz necessário orientar o paciente quanto a:

  • Quantidade: a capacidade gástrica será de aproximadamente 30 ml e por isso nos primeiros meses o volume ofertado será bem reduzido, isto é, 50 ml (1 copo de café descartável) por refeição.

  • Qualidade dos alimentos: dar preferência aos alimentos in natura, evitar industrializados (ricos em sódio, gordura saturada e açúcar) e enfatizar os alimentos fonte de proteína, ferro, acido fólico, cálcio e vitaminas, pois será esses nutrientes que terão dificuldade e/ou menor absorção ocasionando os sintomas clínicos citados acima.

  • Mastigação e ambiente onde serão realizadas as refeições: a partir da evolução da consistência da dieta, os alimentos deverão ser mastigados até estar quase “líquidos” na boca, dessa forma a refeição deverá ser feita em aproximadamente 20 minutos e em um lugar tranquilo longe de distrações como televisão, smartfone, tablet e computador para que a mastigação seja bem realizada e o paciente possa perceber a sensação de saciedade.

  • Fracionamento da dieta: será importante manter uma rotina alimentar, com fracionamento mais frequente, ou seja, maior número de refeições ao longo do dia já que o volume será pequeno. Alem disso não deve pular refeições ou ficar muitas horas sem se alimentar.

Evitar consumo de líquidos durante a refeição senão a aceitação dos alimentos será menor e a chance de desnutrir aumentará.

  • Suplemento vitamínico: a fim de evitar carências de vitaminas e minerais deverá ser prescrito para todos os pacientes.

A partir dessas orientações prévias o primeiro mês será dividido em 3 etapas:

  1. Primeiros 7 dias: dieta liquida restrita (caldos, sucos e água de coco natural coados no coador de café). Neste momento os alimentos sólidos devem ser excluídos, assim como acuar, mel, leite condensado, doce de leite, sorvetes, bebidas alcoólicas, com gás, leite, café, chá preto/mate, achocolatado, sopas e sucos artificiais/em pó. A ingestão de água deve ser feita entre as refeições, no volume de 50 mL.

Exemplo:


  • Segunda e terceira semana: dieta liquida completa. Aqui os alimentos sólidos deverão ser batidos no liquidificador, não há necessidade de coar em coador de café, mas precisará ser coada com coador de tramas finas e as refeições devem ser realizadas a cada 2 horas. Alguns alimentos já serão introduzidos, tais como leite desnatado e iogurte, e suco de fruta natural, mas alguns alimentos devem ser evitados para evitar desconforto gastrointestinal (feijão, lentilha, ervilha, etc), brócolis, couve-flor, nabo, pimentão, rabanete. A ingestão de água deve ser feita entre as refeições, no volume de 50 mL.

Exemplo:



  • Quarta semana: dieta de transição. Neste momento serão mantidas as orientações da dieta liquida completa (segunda e terceira semana), acrescentando 1 alimento por dia dos descritos abaixo:

  • Clara de ovo cozida (2 unidades por dia em horários diferentes)

  • Frutas raspadas ou cozidas

  • Caldo de feijão bem cozido

Exemplo:



  • Segundo mês: 15 dias a 1 mês. Dieta pastosa (purê ou creme). A ingestão não deve ultrapassar de 4 a 5 colheres de sopa/refeição e neste período a mastigação deve ser lenta e exaustiva. A ingestão de água recomendada é de 500 mL/dia (10 copinhos de café descartável). Os alimentos anteriormente proibidos continuam e a esta lista acrescenta-se frutas com casca e sementes e salada de folhas cruas.

Exemplo:



  • A partir da sétima semana ate o final do terceiro mês: neste momento há liberação de uma serie alimentos podem fazer parte do plano alimentar, tais como todas as frutas, legumes e verduras cozidos ou em forma de purê, pães moles, arroz e massas no geral (sem molho), óleos vegetais, azeite de oliva, temperos naturais (cebola,alho, cehiro verde, etc)

Exemplo:



Dessa forma conseguimos amenizar ou ate mesmo evitar a desnutrição ou déficit de nutrientes e ter uma redução de peso adequada e esperada, alem de saudável e permanente a longo prazo.


Autora: Catharina Paiva, Nutricionista – CRN3 29461